Antes da primeira cor tocar a tela, existe o silêncio.
É nesse intervalo — entre a intenção e o gesto — que meu trabalho começa.

Pintar, para mim, não é ilustrar uma ideia pronta, mas escutar o que a matéria pede: a textura da tela, a densidade do pigmento, o ritmo do corpo em movimento. Cada obra nasce de um processo lento, intuitivo, onde o tempo não é medido em horas, mas em camadas.

As cores que surgem não buscam representar o mundo de forma literal. Elas constroem atmosferas, estados de espírito, fragmentos de memória. Há flores que não existem, paisagens que não pertencem a lugar algum, figuras que aparecem e desaparecem. O interesse está menos na forma final e mais na sensação que permanece.

Trabalho com a ideia de delicadeza como força. O gesto suave, o traço imperfeito, a transparência que revela o que veio antes. São escolhas conscientes, quase políticas, em um tempo que insiste na velocidade e no excesso.

Este blog nasce como uma extensão do ateliê. Um espaço para compartilhar processos, reflexões e detalhes que nem sempre cabem na obra pronta. Aqui, a pintura continua — em palavras.

Seja bem-vinda, bem-vindo.
Que este espaço também seja um lugar de pausa.